Ahhh ich sterbe…
A ópera nunca evitou as grandes emoções. A tragédia é o seu núcleo de acção; e a acção são mulheres doentes, amaldiçoadas, traídas e suicidárias a morrer por todo o lado. A ópera é a Hollywood da história. É uma questão de paixão.
Um grupo de cantoras de ópera revisitam a história do morrer em palco, as profundezas do amor e as memórias pessoais da ópera. Dying For Love não é só um nome bonito; é a sua definição exacta.
Convidar oito cantoras portuguesas com uma profunda relação com a música enquanto exigência performativa.
Mexer e fundir com a forma condensada da Tragédia Operática.
Extrair a essência da Ópera/Drama, confrontá-la com um contexto de absurda normalidade.
E então, o documentário e a ficção entrecruzam-se, modificando-se a sua carga emocional.
Quando o derradeiro drama encontra a realidade.
Quando a nossa própria realidade se transforma em drama.
E o drama se torna no banal andamento da existência quotidiana.
Descarnar a iconografia operática do bel canto, ao mesmo tempo que se faz uso dos ícones tão livremente quanto se misturam as nossas roupas em segunda mão.
Despir o Drama dos seus mitos e do seu poder.
Retira-se a teatralidade ao Drama e fica-se só com A Canção e a dificuldade em cantar A Canção.
Aí reside O Drama, e aí se revela o puro ícone da Ópera.
© Fotos Jorge Gonçalves
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